Nesse primeiro post não quero expor muito da minha pessoa, até porque nem sei se vou continuar postando aqui. No fim eu sempre tive o hábito de registrar pensamentos para que eu possa revisitá-los no futuro, como um gatilho para uma viagem no tempo, onde posso reviver coisas, sentimentos e pensar sobre mim mesmo.
Eu sempre tento ser a pessoa mais independente possível, isso porque meus pais sempre foram muito controladores apesar de serem boas pessoas. Quando saí de casa fiquei anos morando longe, sozinho ou com amigos, o importante era poder tomar minhas próprias decisões sem ter que pedir permissão. Basicamente meu trabalho me permitia isso. Eu ganhava muito dinheiro depois de mais de 4 anos na mesma empresa, mas ao mesmo tempo aquela empresa já não mais ressoava com o meu coração, o que empurrou ainda mais pro limite minha depressão.
Quando perdi meu emprego eu ainda insisti em ficar longe dos meus pais, minha liberdade era muito importante pra mim. E por isso acabei contraindo algumas dívidas. Pra falar a real, também fui um pouco imprudente com o dinheiro, achando que logo conseguiria outro trabalho, o que não aconteceu.
Quando as coisas já estavam prestes a ficar insustentáveis acabei me mudando de volta pra minha cidade natal, onde me estabeleci na casa que meu avô morava no passado. Acontece que essa casa é dentro do quintal dos meus pais, e lá se foi minha liberdade novamente. Cobranças em momentos inoportunos, pensamentos divergentes e coisas a mais sempre acabam gerando atrito entre nós apesar de eu ter quase 30 anos.
Mal posso dizer que tenho relações com outras pessoas atualmente. Como toda minha vida era dedicada ao trabalho a maioria das pessoas vinham, ficavam um tempo e iam embora. Além disso meu hiperfoco às vezes era visto como descaso. No entanto tem uma pessoa que eu tenho orgulho de chamar de amiga, ela é a Z.
Conheci a Z através de um ex-namorado em uma mesa de RPG. Z é 10 anos mais nova que eu, mas nossas conversas fluem como nunca aconteceu com outra pessoa. Ela não é compassiva com os meus erros, mas também não me descarta e me julga a cada tropeço. Ela é capaz de ouvir, perdoar e rir comigo.
Eu e Z nunca nos encontramos pessoalmente pois Z mora em outro estado.
Z possui uma família conturbada, com pensamentos arcaicos e cheia de preconceitos. Em cima disso a depressão consome ela assim como me consome. Por muitas vezes ficava abismado com coisas que ela aguentava e esbravejava para que ela fizesse algo a respeito. Apesar de todas as dificuldades e problemas eu nunca tinha visto alguém além da minha mãe com o coração tão bondoso e empatia tão forte quanto Z. Isso me fazia querer ajudar ela de alguma forma, não sou nenhum super herói, mas sentia que talvez se Z tivesse um pouco de paz de espírito poderia atingir coisas incríveis.
Acontece que enquanto eu morava sozinho ofereci para Z para que morasse comigo, ela poderia tentar recomeçar morando em um lugar diferente, com pessoas diferentes e sem tantas cobranças e preocupações. Ela sempre se mostrou aberta a ideia mas nunca realmente aceitou a proposta. Esse ano ela decidiu que aceitaria meu convite, acontece que diferente de quando lhe convidei, eu não tenho mais a autonomia e capacidade de cuidar dela e de mim mesmo financeiramente.
Em respeito aos meus pais e a casa deles, não posso trazer a Z de um dia pro outro sem dizer nada. Só que ao mesmo tempo não quero dizer para Z não vir, na verdade até mesmo já comprei as passagens dela para viajar no próximo mês. E por isso hoje sentei com a minha mãe e conversamos seriamente, pedi para minha mãe a autorização para que a Z venha morar comigo por um tempo... Disse que a família dela é muito complicada e que a mãe dela praticamente está expulsando ela de casa.
A primeira reação da minha mãe foi a que eu esperava, um receio, quase uma recusa imediata. Questionamentos como "Ela não tem mais ninguém?", "Ela é de tão longe", "Você não está querendo 'amigar' com ela?", "Posso ver ela?". Calmamente tentei responder todas as perguntas da minha mãe, mas ela não pareceu muito convencida ou propensa a aceitar, contudo também sei que ela tem o coração mole e sabe como é ser expulsa de casa pela mãe. Eu iria falar com meu pai, mas ela me pediu para esperar que ela ia pensar e falar com ele também. Ela me cobrou responsabilidades e falou sobre minha saúde mental e trabalho.
Não sei o que vai acontecer, ainda não me livrei das dívidas e o subemprego que estou mal paga as parcelas do empréstimo que fiz no banco, quem dirá a fatura do cartão que acumula a cada mês. Realmente tenho receio de que meus pais recusem meu pedido e aí eu decidi que vou alugar algum lugar para ela ficar e levar minhas coisas pra lá, o que geraria mais um problema financeiro e um atrito com minha família.
Eu tenho um mês para pensar no que fazer. Se conseguisse um emprego home office que pagasse um salário digno ao menos conseguiria argumentar melhor com meus pais e teria uma certeza que a Z não viria pra cá sem nem ter onde ficar.
Será que vou ser o responsável por afundar em definitivo a Z? Se for o caso eu certamente me mataria de desgosto.
Comentários
Postar um comentário