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003 - Faz algum tempo

Nem sei quanto tempo se passou desde a última vez que escrevi aqui, mas diversas coisas aconteceram e nada aconteceu ao mesmo tempo.

Bom, no fim a Z  realmente não veio pra minha casa, só que o motivo foram os parentes dela terem simplesmente sumido com os documentos dela impedindo assim que ela viajasse. No fim o presente que enviei pra ela foi extraviado e nunca chegou ao destino. E ela não estava brava ou zangada comigo de alguma forma. Dito isso, acabei enviando outro presente para Z, uma rosa eterna, uma flor que vive por anos sem murchar, tal qual a rosa da Bela e a fera. Não foi bem algo que eu pensei em mandar, até porque tem um ar muito mais romântico do que amistoso, mas foi algo que eu ganhei por terem extraviado meu pedido anterior.

Acontece que a Z além de não conseguir sair de sua cidade, a madrinha dela resolveu que seria uma ótima ideia convidar o ex namorado dela, que nunca pediu ela em namoro, pra vir passar o final de ano na casa deles, só pelo fato de que ela resolveu que aquele relacionamento abusivo que eles mantiveram por anos não tava funcionando mais e que era muito mais uma fachada do que qualquer outra coisa. Sabe, esse ex da Z é a pessoa mais egocêntrica e arrogante que eu já tive o desprazer de conviver. Ele se achar o centro do mundo, extremamente inteligente quando na verdade não passa de uma pessoa mimada e sem noção da vida real. Em anos de relacionamento ele nunca se deu o trabalho de pedir Z oficialmente me namoro por mais que tenham se encontrado diversas vezes, e só se manifestava para tentar controlar e podar o que Z era e é. Z não podia ser uma pessoa não-binária porque ele não aceitava se relacionar com uma pessoa não binária. Z não performava seu poliamor porque ele não tolerava que Z pudesse gostar de mais de uma pessoa (apesar dele já ter traído Z). Entre diversas outras coisas que me deixam com raiva só de pensar. E quando Z finalmente toma coragem e forças para se desvencilhar desse relacionamento horrível, a família dela resolve que ela estava errada em fazer isso, sem nem se preocupar com os sentimentos da pessoa que eles deviam cuidar e zelar por...

Abrindo parêntesis: Eu encontrei um dinheiro que eu nem sabia que eu tinha, e todos meus problemas financeiros foram resolvidos de um dia pro outro, como em um passe de mágica. E não só isso, restou dinheiro o suficiente para eu viver mais um bom tempo lamentando minha existência medíocre antes de findar com minha própria vida. Fechando parêntesis.

Levando em conta que o ex da Z vai estar na cidade dela no período do ano novo, cogito seriamente em ir para a cidade dela e fica lá alguns dias simplesmente para ela ter pra onde fugir caso precise de um tempo longe dessa situação absurda que são seus parentes acolhendo seu ex-namorado abusivo na sua casa. Mas também me pergunto porque fazer tudo isso por uma pessoa? Uma pessoa que eu nunca conheci pessoalmente e que provavelmente não faria o mesmo se a situação fosse inversa?

E por isso, nos últimos dias eu estava refletindo: Eu sinto algo além de amizade por Z? E a resposta é "Não sei". Com o passar dos anos eu tive tantas experiências antagônicas com o amor e amizades que eu simplesmente não sei bem o que ainda existe dentro de mim. Talvez nem mais exista a distinção entre amor de amigo, um desejo sexual, amor romântico ou qualquer outra coisa, visto que eu encarcerei tanto esse sentimento dentro de mim, que como uma flor sem cuidados, ele simplesmente acabou morrendo sem que eu percebesse. A única coisa que eu sei é que me importo, e quero ver Z bem. Quero que Z possa acordar num dia e só ter como preocupação alguma coisa banal como um trabalho da faculdade atrasado, porque simplesmente eu acho que ela merece isso.

Pra ser bem sincero eu tenho medo de que essa visita do ex tóxico gere um efeito em cadeia que eu nunca mais consiga reverter, ou que a Z entre numa situação onde eu jamais consiga alcançar ela e nunca chegue a conhecê-la realmente. Existe uma pequena possibilidade que tudo isso seja só eu querendo proteger algo que não pertence a mim enquanto meu bom senso luta contra minha vontade possessiva de não perder mais nada...

 Na verdade eu não sei e talvez eu nunca venha a saber... Estou deprimido... Faz dias que não levanto da cama. 

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